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segunda-feira, 23 de abril de 2018

O Desarmamento Civil e a Tentação Totalitária

Muitas pessoas devem se perguntar por que os conservadores e os liberais estão insistindo tanto no direito de possuir armas de fogo. Superficialmente, poderíamos falar da falência da segurança pública ou do verdadeiro massacre que o país sofre ano após ano (pelo menos sessenta mil assassinatos).Os bandidos não se deixam afetar pelo estatuto do desarmamento enquanto a população fica completamente vulnerável.

Poderíamos travar longos debates sobre o monopólio estatal da força destinada a manter a ordem pública versus o direito à defesa pessoal contra a criminalidade e até mesmo contra um governo que venha a tonar-se despótico. Poder-nos-íamos aprofundar sobre as diferenças entre esses conceitos, seus limites etc.

Entretanto, há um aspecto que vai além desses que foram mencionados, que está muito ligado à questão do desarmamento civil e que toca diretamente na essência mesmo do tipo de sociedade e de regime político que desejamos ou repudiamos. Trata-se da substância e do desdobramento lógico do desarmamento.

Explico: Façamos um pequeno exercício de lógica para saber que tipo de sociedade e regime político teríamos que ter para que o desarmamento civil pudesse alcançar o resultado alardeado pelos desarmamentistas. Eles alegam que não haveria mais acidentes ou crimes cometidos com o uso de armas de fogo.

Para tanto, somente se se garantisse de maneira absoluta que as únicas armas de fogo presentes no território nacional fossem aquelas possuídas pelos agentes estatais credenciados. Ora, para obter esse efeito, o Estado precisaria estar dotado de UM EXERCITO DE FISCAIS COM ACESSO IRRESTRITO A CADA METRO QUADRADO do território, com autorização para fazer vistorias regularmente.

Como se pôde perceber observando o caso do Brasil, onde o desarmamento civil num regime relativamente liberal não trouxe o resultado previsto pelos desarmamentistas, o REGIME TOTALITÁRIO é a CONDIÇÃO SINE QUA NON para que o desarmamento civil possa ter o efeito proposto.

Nesse regime não restaria lugar algum no país com privacidade garantida por lei. Cofres, arquivos, veículos, colchões, o armário, a cueca ou calcinha (onde dá para esconder uma pistola de pequeno calibre), o  quarto das crianças ou da vovozinha, ou seja, qualquer lugar onde se poderia esconder uma arma de fogo estaria sujeito a perícia do Estado.

Esse tipo de regime já existiu e existe hoje. Basta mencionar a China, onde o Estado tem acesso até ao ventre da mulher grávida.

Só há duas hipóteses nas quais se enquadra o pensamento dos defensores do desarmamento civil: Ou vivem na ilusão de que o desarmamento possa evitar crimes ou acidentes num regime liberal (não há lugar no mundo onde isso tenha ocorrido), ou inconscientemente (ou conscientemente), cedendo à tentação totalitária cientifista, almejam o advento do REGIME TOTALITÁRIO.

Em última instância é contra isso que lutamos quando combatemos o movimento desarmamentista, não deixa de ser um grito de liberdade. 





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